"Contos de Amores Vãos" é a coletânea de vinte narrativas que versam sobre a incompletude dos relacionamentos e a frustração que isso acarreta. Cada um dos textos utiliza uma técnica ou uma forma diferenciada dos demais, o que torna a obra ousada do ponto de vista formal. A obra foi contemplada via Lic Federal, por meio da Lei Rouanet, e tem o patrocínio das empresas Randon e Marcopolo.

CAIXA DE PESQUISA

domingo, 26 de junho de 2011

afetos ou a mãe de nós mesmos

É  muito importante o  lugar que a mãe ocupa na vida bebê, pois ela é a principal  responsável pela formação da identidade dos filhos que gerará.  A comunicação inicia-se na barriga, quando ainda somos fetos.  Mas o papel do pai também é  muito importante, pois ele tem a lei fálica. É ele quem dará início a castração. É aonde a criança receberá o corte, é neste momento que vamos introjetar que não podemos tudo, somos sujeitos faltantes ou seja, não podemos tudo. Esta introdução  é para poder entrar no teu conto e quero parabenizá-lo e dizer-te que  é sensacional, difícil, complexo, inteligente como  todos os textos produzidos por ti.  Então teu conto fala na sua essência  que não há o desejo desta mãe por este filho, não há amorosidade,  por isso não há afeto,  e a criança  percebe e  sente isso na barriga - o desafeto, o desamor, a morte, e fica dependente desta mãe que traçará seu destino possibilitando a vida ou a morte. A criança assim  poderá ou não dar sequência a vidas futuras ou a transmissão de valores de gerações a gerações, poderá ou não reproduzir o que será repassado por está mãe e outros  afetos ou desafetos parentais. Por isso somos os arquétipos formadores e responsáveis pela formação de gigantes ou destruir pequenos.
Em relação ao conto ainda, a forma que a narrativa está descrita, sem pontuação, desalinhada propositalmente pelo autor,  nos faz pensar e viajar nas mais variadas interpretação sobre a complexidade que é a vida humana.
Ótimo conto Uili, parabéns.

Nádia Duarte
psicóloga

quinta-feira, 23 de junho de 2011

ENTREVISTA

Domingo, dia 26 de junho, às 21h30min, vai ao ar a entrevista que concedi ao escritor e apresentador de TV Dilan Camargo, pelo canal 16 da Net. 
O bate-papo será reprisado no dia seguinte, dia 27, às 16h30min, e pode também ser visto pela internet: www.al.rs.gov.br/tvassembleia.
Nossa conversa será exibida em rede estadual e, modéstia à parte, ficou bacana. Falamos sobre minha história, meu processo criativo e, principalmente, sobre meu novo livro "Contos de Amores Vãos", que ele adorou.
Não percam.
Abraços e bom feriado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Afetos ou a mãe de nós mesmos

"... se um dia eu falar com deus quero questioná-lo sobre esse poder que deu às mães sobre esse amor mal distribuído capaz de formar gigantes ou destruir pequenos..."

Contos de Amores Vãos

domingo, 19 de junho de 2011

Poema...

Precisava da aspereza das palavras
Precisava dos amores desbotados
Precisava do soco no estômago
Precisava da solidão
Precisava calar a alma, portanto
precisava do teu livro.
É necessário
engoli-lo até se engasgar.
Teu livro é de primeira necessidade.

Janete Nodari
                                            Jornalista e escritora

quinta-feira, 26 de maio de 2011

NOVA ÓTICA

Prezado Uili!
Teu último livro é um cadinho. Misturas, com arte e sensibilidade, às vezes onírica, por vezes cruel, sonhos e concretudes, desde a a gênese até o último conto, a tal ponto que o leitor se vê levado (ou  deveria dizer enlevado? ) das primeiras às últimas páginas.
Consegues  apresentar temas já tão debatidos, dissecados, submetidos a exames, pode-se dizer, por minuciosos, laboratoriais, sob ótica nova. Personagens, acontecimentos e ambientes nos prendem, amarram e tiram o fôlego, na expectativa de um desfecho- surpreendente. E ele vem, chocando, arrasando. Além disso, fazes com que o leitor  tente descobrir em si mesmo sementes do que poderia vir a ser, se submetido a tais circunstâncias insólitas... Tira-o do marasmo diário e impulsiona-o a ler mais e mais.

Ana Vera Boff
Escritora

HEMATOMAS

Na semana passada saí da caverna e fui ao lançamento de um livro de contos, num bar daqui de Caxias do Sul. O escritor se chama Uili Bergamin, ele é tão bom que tem até nome de escritor. Não estou acostumado a esse tipo de evento, mas fui. Ali estava o autor, gravata e colete, simpático e sorridente, distribuía abraços, beijos, e se postava ao lado das pessoas para fotos. Parecia bem comportado como um bancário. Comprei um livro Contos de Amores Vãos, ele autografou. Sábado resolvi ler o livro. Esperava algo como... , nem sei bem o quê, mas muito menos do que é realmente o livro. Acho que esperava algo melado, aí que o livro me pegou. O texto vai dando ligeiras agulhadas no leitor, que quando percebe está todo cheio de hematomas pelo corpo. Eu que escrevo distribuindo porradas, não tinha defesa para escrita tão aguda e ferina como a de Uili Bergamin. A sutileza da escrita de Uili me deixou perplexo, não só da escrita como dele próprio: todos aqueles sorrisos, cara de bonzinho, mas o que ele escreve corrói até o metal mais duro. Acho que a aparência dele era blefe. Pura malandragem refinada. Li o livro e imediatamente o reli, são apenas cento e poucas páginas, fiquei com aquela sensação da pessoa que é roubada sem sentir e ainda sorri ingenuamente ao ladrão que lhe diz 'tenha um bom dia'. Agora estou curioso para ler os outros livros dele. É um nome a ser guardado. Um jovem escritor a ser lido sem medo de se decepcionar.

José Otavio Carlomagno

Escritor

domingo, 22 de maio de 2011

Freud explica

          É interessante  como consegues prender a atenção do leitor, apesar de algumas narrativas serem codificadas.  Mas apesar da complexidade de alguns textos consegui traduzi-los assim: estes  nos relatam  o vazio das relações em tempos "modernos". O mundo, o ser humano em suas relações desgastadas, vivem no faz-de-conta,  entre mentiras e vão tocando  suas vidas, pois é preciso viver.  Consegues colocar nos teus textos, transpondo do fictício ao real, a hipocrisia que prevalece em algumas relações, as crises existenciais, os desgastes da vida cotidiana. A diferença é que nós, meros mortais, sabemos de tudo isso inconscientemente, e tu dás vida e voz a estes nossos sentimentos.
          O mágico nos teus contos é  que conduzes os personagens nos momentos de  vazio, de angústia, de dor, de tristeza e solidão, talvez pela sensibilidade que te é peculiar deixa-os seguir a trajétoria  até o fim, mas nunca os deixa sozinhos, pelo contrário, és a fonte de apoio deles.
           Faço  uma leitura se os personagens  tem  a solidariedade ou apoio  do escritor nestes momentos de caminhada, de sofrimento. Ainda temos  esperança, ainda podemos acreditar no universo das relações humanas e quem sabe termos a sensibilidade de avaliar nossas vidas e crescermos.
          Adoro o conto "O sinal", me identifiquei. Adoro vários deles.

          "Nada , ninguém lugar nenhum". Meu Deus! Magnífico conto Uili, parece que vejo o personagem na rua admirando a beleza da moça, parece real não é?
          "O amor comeu meu nome" é esplêndido. "Insuportados ou segredos do amor poético"... De onde vens poeta... com tanta propriedade para escrever... Não tem como não se encantar com o que escreves.  És enigmático, complexo e dotado de muita sabedoria e inteligência.

Heloísa Duarte
psicóloga